TEATRO

Michel Blois em

EUFORIA

06, 13, 20 e 27 de fevereiro
quartas | 20h30

 

Texto de Julia Spadaccini
Direção de Victor Garcia Peralta

Duração: 52 minutos
Classificação indicativa: 14 anos
R$ 40 (inteira) / R$ 20 (meia)

06/02
13/02
20/02
27/02

 

Indicada aos Prêmios "CESGRANRIO" e "Botequim Cultural" de melhor ator e melhor texto de 2017. Divida em dois solos, um idoso e uma cadeirante, a peça trata do desejo. Um desabafo de personagens que socialmente são olhados como seres assexuados, invisíveis aos olhos do prazer comum.

A peça estreou dia 09 de setembro de 2017 no Espaço Cultural Sergio Porto (RJ), seguiu temporada no Teatro Café Pequeno (RJ) em outubro, no Parque das Ruínas (RJ) em novembro de 2017 no Reduto (RJ) em janeiro e no SESC Vila Mariana (SP) em junho de 2018.


SOBRE O TEMA
UMA MULHER PARAPLÉGICA

Uma publicação britânica sobre deficiências, que entrevistou mais de mil pessoas nessas condições, aponta que 85% já fizeram sexo alguma vez na vida e metade tinha um parceiro. Mas, por outro lado, um levantamento divulgado por um jornal do país revelou que 70% dos britânicos não iriam para a cama com alguém com algum tipo de deficiência física.

Esse é um preconceito comum. O deficiente é visto como uma vítima eterna, um "coitado", um ser completamente assexuado.

Através do olhar dessa jovem personagem que ficou paraplégica em função de um acidente, vamos ser levados numa viagem onde a sexualidade é tão ou mais explorada pelo corpo e suas incríveis terminações nervosas.

No início, envolta pela percepção dos limites que o novo corpo lhe trazia, em meio a raiva e tristeza, não chegou a pensar em sexo. O seu foco era reaprender o cotidiano, como comer, lidar com a sonda, escovar os dentes. Até que um dia conhece um homem e sente que ele lhe desperta a consciência sobre áreas de seu corpo que se tornaram mais sensíveis após o acidente. Ela fica obcecada pelas próprias bochechas, pescoço e outras partes não convencionais do corpo, aprendendo também a decifrar aos poucos um novo mundo de fantasias e sensações.

UM SENHOR DE 87 ANOS HOMOSSEXUAL

A sexualidade dos mais velhos é um dos aspectos do envelhecimento que mais sofre preconceito, muitas vezes avaliada como um período assexual e de renúncia. A libido não se apresenta somente no ato sexual em si, mas nos pensamentos, na observação, nos sonhos, no desejo constante.

Foi constatado que os indivíduos, quando vão para um asilo, escondem suas sexualidades. Homossexuais, assumidos socialmente quando jovens, voltam a vestir a máscara social para não passar "constrangimentos".

Esse personagem vai se desenvolver justamente nesse ambiente e com essa inquietação: viver num asilo e ter que se distanciar novamente de sua própria identidade. Porém, dentro de si, o que ainda persiste é a euforia do desejo que se mantem vivo, jovem e pleno. Um universo pulsante ainda está ali, querendo, sentindo e sendo o que sempre foi.

A sexualidade em toda sua amplitude, não sendo restrita ao ato sexual, ganha contornos simbólicos que falam do desejo de permanecer vivo, da persistência exigida quando o vigor do corpo declina. Mesmo tendo superado os medos e os conflitos gerados pelo desejo homossexual ao longo da vida, este é um momento de entender que a vida sexual pode ser realizada de várias formas contradizendo a norma conservadora.

Agora, ele vê emergir imagens da infância e da adolescência. Os choques entre desejo e aceitação, beleza e envelhecimento perduram assim como o medo do abandono. A situação fica mais delicada com a perda da independência financeira e da saúde, normalmente associada à permanência de idosos nos asilos.

Em contrapartida a tenacidade de realizar seus desejos plenamente é fruto de uma construção de identidade pessoal preciosa e possível para algumas pessoas.


FICHA TÉCNICA

Elenco: Michel Blois
Texto: Julia Spadaccini
Direção: Victor Garcia Peralta
Diretora Assistente: Flavia Milioni
Iluminação: Wagner Azevedo
Cenografia: Elsa Romero
Figurino: Ticiana Passos
Trilha Sonora Original: Holograma (Pedro Guedes e Rafael Langoni)
Projeto Gráfico: Raquel Alvarenga
Foto e Vídeo: Rodrigo Turazzi e Duda Paiva
Pesquisa Dramatúrgica: Marcia Brasil
Cenotécnica: Fatima de Souza
Operadora de Luz e Som: Debora Thomas
Modelos para Arte: Zuka Blois e Terra
Direção de Produção: Aline Mohamad e Michel Blois
Realização: Eu e Ele Produções Artísticas Ltda


O PROCESSO

Esta é a segunda peça que Michel Blois é dirigido por Victor Garcia Peralta, a primeira foi "The Pride" em 2016 em cartaz na Caixa Cultural e Teatro Ipanema. Já com Julia Spadaccini sua parceria vem desde 2006 quando fez assistência de direção de Kiko Mascarenhas na peça "Por enquanto é isto" em que a Julia fazia como atriz. Já dirigiu outras duas peças da dramaturga, em 2007 o solo do Rodolfo Mesquita "A Sônia é que é feliz" e em 2017, ao lado da diretora de cinema Sandra Werneck, "E se eu não te amar amanhã" com Luana Piovani, Leonardo Medeiro e Marcelo Laham. Como ator fez "Aos Domingos" em 2013, indicada ao prêmio Shell de dramaturgia e "Os Inocentes" em 2010.


A PEÇA

A peça estreou dia 09 de setembro de 2017 no Espaço Cultural Sergio Porto (RJ), seguiu temporada no Teatro Café Pequeno (RJ) em outubro, no Parque das Ruínas (RJ) em novembro de 2017, no Reduto (RJ) em janeiro e no SESC Vila Mariana (SP) em junho de 2018.


CURRÍCULOS:

MICHEL BLOIS - ATOR

Natural da Cidade do Rio Grande/RS, mudou-se para o Rio de Janeiro em 2002, formou-se em Fisioterapia pela UNESA (Universidade Estácio de Sá) e em Artes Dramáticas na CAL (Casa das Artes de Laranjeiras) em 2006. Fundador dos Coletivos de Teatro "Pequena Orquestra" e "Invisível Cia" e do Coletivo de Dramaturgia "Inventário de Mentiras".
É ator, diretor, dramaturgo, produtor e programador.
Foi indicado aos Prêmios "Cesgranrio" e "Botequim Cultural" de melhor ator em 2017 pelo solo "Euforia" de Julia Spadaccini.

Como ator fez mais de 30 espetáculos e trabalhou com grandes diretores brasileiros e estrangeiros como Enrique Diaz, Simon Will (ING), Lola Arias (ARG), Tiago Rodrigues (PT), Felipe Hirsch, João Fonseca, Ary Coslov, Cesar Augusto, Victor Garcia Peralta (ARG), Inez Viana entre outros. Destacando os trabalhos "Pterodátilos" (ao lado de Marco Nanini); "Relações Aparentes" (ao lado de Tato Gabus Mendes e Vera Fischer); "O que você vai ver" (com a Cia dos Atores); "Super Night Shot" e "Dolce & Copacabana" (com a Companhia Anglo-Germânica "Gob Squad"); "Os Inocentes" (baseado no filme "Os Sonhadores" de Bernardo Bertolucci); "Adorável Garoto" de Nicky Silver e "O Médico e o Monstro" (uma adaptação do clássico da literatura de Robert Louis Stevenson).

Foi diretor artístico do "Teatro Glaucio Gill" na Residência "Entre - Operação Orquestra Improviso" em 2008 e 2009, do "Teatro Ipanema" entre 2012 e 2015 com a Residência "No Lugar" e do "Vizinha 123" com o projeto de Artes Integradas "Misancene" em 2017.
É Idealizador e Produtor do Projeto de Teatro de intercâmbio internacional "Cia Provisória" (com 5 Edições), do Festival de Música "Bikini Festival" (com 2 Edições), do Evento de Artes Visuais, Literatura e Performance "Amb/Sex" (com 3 Edições) e do Festival Internacional de Teatro "Dois Pontos" (com 2 Edições).

Dirigiu os espetáculos "E se eu não te amar amanhã?" de Julia Spadaccini (com Luana Piovani, Leonardo Medeiros e Marcelo Laham no elenco e Sandra Werneck, cineasta de "Cazuza - O tempo não pára", "Amores Possíveis" e "Pequeno Dicionário Amoroso", como co-diretora), "Tubarões", "Dentro" do Coletivo Pequena Orquestra, "Para um destinatário" de sua autoria (apresentado em Lisboa, Portugal), "A Sonia é que é Feliz" de Julia Spadaccini e "Dois Irmãos - Due Fratelli" do italiano Fausto Paravidino ("Prêmio Tondelli" de dramaturgia e "Prêmio Shell" de melhor cenário em 2009).

Coletivamente dirigiu, escreveu e atuou em "MoMO" (apresentado no Brasil, Europa e África), "Dulce" (apresentado no Brasil e Europa); "Sempre", "Pedro procura Inês" e "Bobby Sands vai morrer, Tatcher assassina" ("Projeto Estúdios" da Companhia Portuguesa "Mundo Perfeito" - apresentado em Lisboa, Portugal); "Madrigal em processo" e "Moradores da Cidade Vazia" com o Coletivo Pequena Orquestra; "Limite" e "Córtex" com a Invisível Companhia.

No cinema fez os curtas-metragens "Guimba" de Johnny Massaro, "A Carga" de Aline Rezende, "Algum dia Baby Blues" de Rodrigo Bittencourt, "Madrigal em Filmagem" de Pablo Ramos Grad e o longa "Tropa de Elite" de José Padilha.


JULIA SPADACCINI - DRAMATURGA

Julia Spadaccini nasceu no Rio de Janeiro, tem 38 anos, é formada em Artes Cênicas pela UNI-RIO, em Psicologia pela USU e Pós-graduada em Arteterapia pela Cândido Mendes. No teatro, Julia é autora de mais de 18 peças encenadas no Rio de Janeiro e em viagens pelo Brasil. Na TV foi roteirista da série "Oscar freire 279" (Multishow - 2011); do programa "Aprender a Empreender" (Canal Futura - 2010); "Básico" e "Quase Anônimos" (Multishow - 2009). Foi integrante do site "Dramadiário" durante 3 anos. Trabalhou como Roteirista dos Gibis da Editora Globo (2006/07). Como roteirista contratada na produtora Jodaf Mixer e Conspiração Filmes (2008/09). No cinema assinou o roteiro do filme "Qualquer Gato Vira-lata" produzido pela "Tietê Filmes" e o curta "Simpatia do Limão" vencedor do prêmio "Porta-curtas Petrobrás" no Festival de Cinema do Rio (2010). Participou da oficina de teledramaturgia da Rede Globo (2010). Foi roteirista dos gibis "Luluzinha Teen" da Ediouro (2009-2011). Colaborou como roteirista do filme "Loucas para Casar" (Glaz Filmes/ 2015). Desenvolveu o argumento do filme "Isolados" (2014).

Indicada aos prêmios Shell (2012). APTR, CESGRANRIO (2013). CESGRANRIO, Botequim Cultural (2017). Vencedora do prêmio Fita (2013). Vencedora do prêmio Shell como melhor autora carioca (2013) pela peça "A Porta da Frente".

Foi roteirista programa "Tapas e Beijos" (Rede Globo 2013-2015) e da série "AMORTEAMO" (Rede Globo 2015). Escreveu "Chacrinha - O Velho Guerreiro" filme e série para TV Globo.


VICTOR GARCIA PERALTA - DIRETOR

Formado no "Piccolo Teatro Di Milano" na Itália sob direção de Giorgio Strehler.
Natural da Argentina, mas residente no Brasil. Dirigiu vários monólogos de sucesso entre eles: Os homens são de marte e é pra lá que eu vou de/com Mônica Martelli; Sexo, Drogas & Rock'n'roll de E. Bogosian com Bruno Mazzeo; Tudo que eu queria te dizer de M. Medeiros com Ana Beatriz Nogueira; Não sou feliz, mas tenho marido de V. Gomez Thorpe com Zezé Polessa; Dorotéia minha de/com Beth Goulart; Também queria te dizer de M. Medeiros com Emilio Orciollo Netto; Novecentos de A. Baricco com Isio Ghelman; Você está aí? De J. Daulte com Claudia Ohana; entre outros.

Entre seus últimos trabalhos de direção no teatro estão The Pride de Alexi Kaye Campbell; Decadência de S. Berkoff; Queime isso de L. Wilson; Uma relação pornográfica de P. Blasband; Quem tem medo de Virginia Woolf? De E. Albee; O Submarino de M. C. Barbosa e M. Falabella; O caso Valkiria R. de C. Sussekind; Alucinadas de B. Mazzeo, F. Porchat e E. Palatinik; Quartett de H. Müller; Um marido ideal de O. Wilde entre outras.

Na Argentina ganhou os seguintes prêmios de melhor direção: Moliere por Las lágrimas amargas de Petra Von Kant de R. W. Fassbinder; Maria Guerrero por La Señora Klein de N. Wright; A.C.E. e Estrella de Mar por Como se rellena um bikini salvaje de M. Falabella.

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